
 A atriz Aline Ayres |

 Lucas Tramontano e o cartaz do grupo |
Rolou na última sexta-feira, 10/11, o lançamento oficial do núcleo Parthenon, o primeiro grupo GLBT da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
O evento foi promovido no segundo andar da sede do DCE (Diretório Central dos Estudantes) no campus da Praia Vermelha da universidade, na zona sul do Rio. Estiveram presentes mais ou menos 30 pessoas, a grande maioria estudantes da própria UFRJ dos mais diversos cursos, de comunicação à farmácia, de letras à física. O Mix deu matéria sobre a proposta e os objetivos do núcleo aqui.
O primeiro acontecimento da noite foi um esquete teatral sobre se assumir gay e o preconceito que se enfrenta por isso, protagonizado pela atriz Aline Ayres, de 32 anos A apresentação terminou com a atriz portando uma bandeira do arco-íris, chamando os presentes para dançar, enfatizando como é necessário combater as adversidades e ter orgulho do que se é apesar de tudo.
Em seguida, houve a divisão dos presentes em diversos grupos, para uma oficina onde cada grupo deveria compor uma história de vida a partir de rápidos dados biográficos fornecidos pela organização. O objetivo era estimular o pensamento acerca de questões como preconceito e rótulos, além de levantar idéias para serem discutidas em futuras reuniões do próprio Parthenon.
O núcleo, aliás, já existe há mais ou menos dois meses (o evento aqui descrito foi o lançamento oficial) e têm se reunido naquele mesmo espaço a cada 15 dias. Cerca de dez estudantes compõe o grupo por enquanto (outros podem entrar), que não é vinculado diretamente ao DCE da UFRJ, mas conta com o apoio do mesmo nesta gestão, como fez questão de esclarecer Luisa Arueira, de 20 anos, estudante de Farmácia e membro do núcleo.
Ao final da oficina, houve um rico debate, onde os presentes puderam perceber que muitas vezes eles mesmos têm a capacidade de rotular os outros. Luisa acrescentou em meio a seu discurso no fim da oficina que o meio estudantil é homofóbico, fato corroborado por um dos organizadores do evento, colega de Luisa no curso de Farmácia da UFRJ, Lucas Tramontano, de 21 anos. "A gente percebe o preconceito, sim. Até cartazes do evento de hoje, colocados nos prédios, foram arrancados, quase todos."
Como Lucas, outro dos organizadores, Alexandre Bortolini, de 26 anos, também é assumido na UFRJ. Ele é o mais velho dentre os responsáveis pelo Parthenon, é ex-aluno da Escola de Comunicação e atualmente trabalha como funcionário da PR-5, pró-reitoria de extensão da universidade. Ele conta que em seu tempo de aluno levava seu namorado nas chopadas e em eventos promovidos pelos colegas, sendo extremamente honesto em relação à sua orientação sexual com todos.
O nome Parthenon foi escolhido para representar o núcleo GLBT pois tem relação com o símbolo da Minerva (a deusa da ciência e da guerra na mitologia romana) que representa a UFRJ. O autor da idéia foi Gustavo Capanema, de 23 anos, também membro do núcleo e presente ao evento.
O encontro realizado na sede do DCE na Praia Vermelha contou ainda com a presença de muitos heterossexuais que apóiam a idéia do grupo e acreditam na convivência tranqüila entre orientações sexuais diferentes. É caso da estudante de Comunicação Social Mariana Borgerth, de 20 anos, e dos membros do DCE Diogo Dantas, de 22, que cursa Ciências Sociais e Paulinho José, de 23, aluno de Letras. No fim do evento, uma festa no primeiro andar do prédio reuniu toda a diversidade sexual presente numa celebração de respeito e convivência igualitária.