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  Pride: INTOLERÂNCIA
Em Casa?
18/11/2008
Rapaz de Ribeirão Preto acusa de homofobia o segurança de seu próprio condomínio
Por Hélio Filho


Na noite de terça-feira passada, 11, o funcionário público Paulo Rogério Andrade, 27, morador de Ribeirão Preto, estava jogando vôlei com alguns amigos em seu condomínio quando foi agredido verbalmente pelo segurança que deveria protegê-lo. Ele mora há um ano no local e diz que até hoje recebeu apenas uma carta de advertência da administração por estar com o som alto enquanto limpava a casa.

Paulo conta que ao buscar a bola do jogo com um amigo, o segurança teria questionado os dois sobre o que estariam fazendo ali, mas em tom agressivo, como se a dupla estivesse fazendo algo subversivo. Rogério perguntou porque estava sendo questionado e acabou tendo que ouvir insinuações nada legais sobre ele e o amigo. Em conversa com o Mix, ele explica melhor tudo que aconteceu, e o que ainda irá acontecer.

Como alguém pode sofrer preconceito dentro da própria casa? Explica como foi isso.
Toda terça e quinta-feira eu e uns amigos jogamos vôlei no condomínio onde eu moro. Os seguranças estão sempre por perto para fazer a ronda, ver se está tudo bem. O que acontece é que a quadra é cercada apenas na lateral, não tem cobertura, por isso a bola sempre passa no alambrado e cai. Na terça passada, nós estávamos jogando e a bola caiu. Um amigo meu desceu para buscar e eu fui atrás dele, era de noite, para um só fica complicado procurar no escuro. Nós estávamos lá procurando a bola e o segurança perguntou o que estávamos fazendo. Meu amigo disse que estávamos procurando a bola, mas pelo tom que ele perguntou eu questionei porque ele queria saber, senti que não era uma pergunta boba. O segurança disse que nós estávamos “dando o rabo”.

Você discutiu com ele?
Não, falei pra ele que não ia falar nada, ele falou que achava bom mesmo. Depois que achei a bola quis saber o nome dele, mas ele não quis falar. Fui à administração e peguei o nome dele, é Vagner. Minha indignação é que o próprio síndico não quis me ouvir, só ouviu o segurança mesmo. Minha indignação foi ele ir a favor do segurança, que eu pago para me proteger e que me agrediu verbalmente.

Como você reagiu à agressão?
Isso foi na terça-feira passada (11), nós costumamos jogar das 20h às 21h30. Era mais ou menos umas 21h15 quando tudo aconteceu. Pedi para uma amiga que estava comigo para ela identificar o segurança e ela topou. Chamei a polícia por volta de 22h e fiz o boletim de ocorrência. Disse que o segurança insinuou que eu estava “dando o rabo”, foi por causa dessa expressão que me senti ofendido. Pedi para chamar o síndico, queria falar com ele, mas ele se recusou, mesmo com a polícia lá. Aí a polícia foi à porta dele, ele saiu me xingando, dizendo que eu só dava problema para ele. O próprio cabo da polícia disse que eu tinha mais um argumento para dar entrada ao processo.

O caso ficou popular, você até discursou na Parada de Ribeirão no último domingo.
Sim, domingo durante a Parada de Ribeirão Preto, o presidente do Grupo Arco-Íris daqui me convidou para falar sobre o caso, sobre o que aconteceu. Para mim foi importante falar, não ficar quieto. Pode ser que isso não dê em nada, mas que isso sirva de exemplo para quando as pessoas te chamarem de “bichinha” você não fique com medo de meter a cara.

Você pensa em processar essas pessoas, punir alguém?
Vou até o fim nessa história. Vou entrar com processo por agressão verbal e discriminação. Vou pedir uma indenização em dinheiro, a princípio não queria, dinheiro nenhum vai apagar o que eu ouvi da minha memória. Mas quero que ele coloque a mão na consciência para não fazer isso com outra pessoa. Brasileiro só sente quando põe a mão no bolso. Vou montar um processo cível contra o síndico e outro criminal contra o condomínio porque o segurança é empregado do condomínio, está sob a responsabilidade dele, não dá para processar o segurança diretamente.

Mas existe a possibilidade de retratação? Se ele se desculpar, quiser fazer um acordo, isso pode mudar?
Se ele pedir desculpas e propor um valor eu vou dizer que isso não apaga a ofensa, mas pelo menos vai servir para ele ver que eu não fiquei quieto e que ninguém pode mais ficar quieto. É a primeira vez que isso acontece diretamente comigo. Não queria que chegasse a esse ponto, de chegar na mídia, ter repercussão, mas temos que dar o exemplo, não podemos ficar quietos. É fácil estar na rodinha de amigos e só falar que vai fazer, mas quando discriminam ninguém fala nada, abaixa a cabeça por medo.

*O síndico não foi localizado para comentar a entrevista.

   





LEIA OS COMENTÁRIOS

1/12/2008 17:43:39 - Indiio quer apito (loriwedson@hotmail.com)
Ridiculo a maneira como e tratado aqueles q nao apreciam os gays na cama. Leva o nome de gentalha, ridiculo, e mais discrim inaçoes q esses poucos marginais adoram aparecer. Pessoal. O caminho q vc estao trilhando e exatamente aquele q procuram combater. Quanto mais os discriminam, reacende o odio gratuito por qualquer ovimento.
21/11/2008 22:05:24 - Anonimo (cabeludobaby@hotmail.com)
Acho que se fosse uma pessoa correta e com principios, seria respeitado por todos e niguém colocaria o dedo no nariz dele. Temos que ver a versão do sindico do prédio. Sou gay, mas ando de cabeça erguida. Minha família sabe, meus amigos, todos do meu trabalho, e sou respeitado, porque respeito a todos.
21/11/2008 16:31:36 - Carlos (since1978@uol.com.br)
Achar que o Paulo estava fazendo ago mais a nao ser procurando a bola de Volei e simplemenste RIDICULO ... O cara mora naquele Edificio, se ele quisesse fazer algo, subiria para a privacidade de seu proprio apartamento. Nao entendo como nos mesmos (gays) desconfiamos e sempre achamos que nessas situacoes, eles estao sempre fazendo sacanagem e "pedimos" para sermos agredidos ...
20/11/2008 02:01:55 - Alex (none@gmail.com)
Escuro, atrás do muro, procurando bola. Situação complicada. Que o cara pode ter sido preconceituoso, não tem a menor dúvida. Mas que a história da bee tá daquelas beeem malcontadas, está. Vamos ver no que dá.
19/11/2008 22:55:23 - Denis Comenale (tenis.32@hotmail.com)
Da proxima vez, o segurança e quem mais souber dessa história, vai pensar duas vezes antes de falar o q ñ deve. Falta de educaçao deveria dar cadeia, inclusive pra quem ñ proporciona... Vejo tanta gente sem escola - e o colégio q estudei a vida toda fechou. Será q o Governo ñ tem verbas pra manter uma escola???? Oh dureza!
19/11/2008 11:40:18 - Diego - SP (diegojunior@uol.com.br)
Opinar sem ouvir o outro lado da história é faltar com a verdade. Um local escuro é propício para uma pegação. Ele não tinha nada que ir atrás do outro. O Mix deve continuar tentando contato não apenas com o síndico, mas também com o segurança para, assim, sabermos o que viu naquela noite.
19/11/2008 10:02:56 - Marcelo - Curitiba (gostosocwb2000@hotmail.com)
Discordo muito o Renato. Tem de divulgar, e correr atrás dos direitos. O que esta fazendo não é se promover, e sim mostrar aos demais comoproceder. Ele é um rapaz culto, funcionário publico. Agora imagine quem tem menos posees ou cultura. Tá certo, tem de divulgar. Nós so conseguiremos na base do grito e sobretudo, NO BOLSO de quem nos agride. Principalmente o brasileiro só sente o problema no bolso.
19/11/2008 08:42:14 - Jan (brandaoverde@yahoo.com.br)
É evidente que ele agiu de maneira correta, não podemos mais calar pra que isso não se repita, temos nossos direitos garantidos e assistidos pela lei.
19/11/2008 01:26:25 - Diego (diegorss@hotmail.com)
15 minutos de fama não é nada perto da opressão secular que os homossexuais sofre. É isso aí, com licença e por favor não funcionam com a gentalha, vamos bota a boca no trombone. Moro num condomínio sofistificado com meu namorado e na primeira semana de moradia já armei o maior barraco por ato discriminatório e hoje, 15 anos passados, vejo oquanto valeu a pena.
19/11/2008 01:03:59 - Felipe (felipecardoso2000@hotmail.com)
Ah, pelo amor de Deus, o rapaz está fazendo valer seus direitos e ainda tem gente que pensa que ele quer "fama". Francamente!
18/11/2008 23:42:47 - Marcelo Conti (marceloconti73@yahoo.com.br)
NAO DEVEMOS NOS CALAR NUNCA! PARABÉNS A PAULO ROGERIO ANDRADE. QUEM CALA É TÃO CRIMINOSO QUANTO QUEM COMETE O CRIME.A CONIVÊNCIA É IRMÃ DA COVARDIA E O GAY BRASILEIRO É, EM SUA MAIORIA, COVARDE. É IGUAL NAS BOATES GAYS: OS SEGURANÇAS FICAM "PAGANDO PAU" PRAS GAROTAS E TRATAM OS "DONOS DO LOCAL", OS GAYS E INCLUSIVE LÉSBICAS TB, COMO SE FOSSEM MARGINAIS. BASTA!
18/11/2008 23:18:23 - DADINHO (dadinhogls@hotmail.com)
As bees deviam estar se atracando alí e já olhavam há dias com olho gordo o tal segurança, com esperança de chamá-lo para uma festinha. Só zuerinha de bee e ele não entendeu!
18/11/2008 23:03:19 - OK (gato_muitosacana@hotmail.com)
O pior é que ainda aparece idiotas para dizerem que o garoto está se aproveitando da situação... Grande coragem a dele de se expor e manter-se firme com sua consciência... Isso é para poucos! Parabéns!
18/11/2008 20:36:48 - Anônimo (anonimo@f.com.br)
Quem conhece que te compre... ta querendo aparecer
18/11/2008 20:21:38 - Lolô Alves (hhc.adv@terra.com.br)
Acabei de vir de um evento na Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania que abordava a Lei 10.948/01 que trata de discriminação em casos como esses. Infelizmente, creio que o Paulo Rogério desconhece essa lei. Seria bom que ele procurasse a Defensoria Pública de sua cidade ou um Grupo LGBT de Ribeirão para orientá-lo sobre a denúncia com base nessa lei, que pode acarretar numa multa para o condomínio e para o segurança e até o síndico Temos esse instrumento legal e temos que saber usá-los. Ele tem o B.O e tem testemunhas. Portanto, é provável que tenha exito. Garanto que o condomínio e o segurança não farão mais essa discriminação. A indenização por danos morais é válida, mas valeria a pena também a denúncia com base na Lei 10.948/01. Não precisa de advogado. Quem se sentir discriminado deve se valer dessa lei para obter a punição administrativa do infrator.
18/11/2008 20:14:51 - Renato (aaa@bb.com)
Sempre que uma pessoa briga por seus direitos, aparece alguém que diz que "ele só quer aparecer". Isso é incrívellllll... Um pouco de bom senso, por favor. E parabéns a ele, por ter coragem de ir atrás. Na verdade, não me parece que tenha sido nada tão terrível assim em si, mas o fato de ser dentro da própria casa torna tudo mil vezes pior.
18/11/2008 18:38:41 - eduardo (paulistaempoa@hotmail.com)
tem que fazer isso mesmo. parabéns. deve mesmo pedir grana que essa linguagem é universal e impede novas atitudes discriminatórias como essa
18/11/2008 18:29:34 - Renato (renato.colibri@uol.com.br)
Logico que o garoto foi discriminado, mas que está se aproveitando da situação isso está! Está tendo seus 15 minutos de fama!
18/11/2008 18:14:45 - Anônimo (anônimo@g.com.br)
Também sou de Ribeirão Preto e recentemente fui discriminado em um barzinho bastante conhecido, pois durante o dia funciona uma lotérica. O garçom insinuou que eu e um amigo estávamos indo ao banheiro para fazermos alguma coisa. Meu companheiro de quase 6 anos estava na mesa e o tal amigo é um irmão para mim!! Não abri BO, mas tenho certeza que não serei esquecido naquele boteco.
18/11/2008 17:52:32 - Pedro (aguentaessa@yahoo.com.br)
Isso aê. Muito bem por ter coragem e não tolerar a agressão.
18/11/2008 15:39:34 - Enilson (reggatadeblanc@msn.com)
Isso, isso, isso. Meta a mão no bolso mesmo. E meta o dedo na cara. Na maior civilidade, é claro, que esta gentalha não merece que vc se suje por eles. Parabéns, menino! Assim é que se faz!


                                



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