Aconteceu na tarde dessa terça, 5/6, no hotel Blue Tree Towers, próximo a Av. Paulista, a primeira coletiva de imprensa da Parada de São Paulo. Estavam presentes Géter Ribeiro, representante da Caixa Econômica Federal, José Barbosa, diretor de comunicação institucional da Petrobrás da região Sul e Sudeste, Cássio Rodrigo, do CADS, Valéria Melk do grupo Católicas Pelo Direito de Decidir, Elvira Ventura, do Programa Estadual de Prevenção DST/Aids, Gil Casimiro, do Programa Muncipal de Prevenção DST/Aids, José Possi Neto, vereador e líder do governo na Câmara, André Guimarães, da Fun Prime, Regina Facchini, vice-presidente da APOGLBT e Nelson Matias Pereira, presidente da APOGLBT.
O presidente da APOGLBT deu início à coletiva apresentando a mesa e a seguir cada participante deu a sua declaração sobre a Parada. O vereador José Possi Neto falou da importância do CADS e da maturidade do evento. "Depois de dois anos de muita luta e dificuldades, concluimos um ciclo no CADS, que acredito ser extremamente positivo. Também tenho que reconhecer a maturidade que a Parada Gay ganhou ao longo dos anos, graças ao trabalho da APOGLBT e ao apoio do poder público. Lutamos muito para que a Parada permanecesse na Paulista, já que sabemos da importância desse espaço não só para o Brasil, mas para o mundo", declarou o vereador.
Em seguida foi a vez de André Guimarães, da Fun Prime, empresa de consultoria que organiza alguns eventos do Mês do Orgulho em parceria com a APOGLBT. "É importante observarmos a consolidação do relacionamento entre o Governo, a iniciativa privada e a sociedade civl organizada, que com isso avançam não só na questão política, mas também no âmbito mercadológico. Pela primeira vez temos patrocinadores expondo suas marcas e ligando suas empresas a causa GLBT, e isso é um avanço muito grande e também fruto de muito trabalho, já que fomos até essas empresas e além do conceito de respeito a diversidade, apresentamos a eles uma grande oportunidade de mercado que essa comunidade oferece. Através de pesquisas, destacamos que 91% dos participantes da Parada possuem nível de escolaridade Superior ou Médio Completo, fato que dificilmente encontramos em outros segmentos", esclareceu André. "Além disso, esse é o 2º evento que traz mais turistas ao Brasil, depois do carnaval do Rio" completou.
Géter Ribeiro, representante da Caixa Econômica, um dos patrocinadores do evento, enfatizou o engajamento da empresa com relação a diversidade. "Somos diferentes e isso não deve ser um marco para a discriminação, essa é uma das diretrizes da Caixa. Esse ano, temos uma peça de teatro, Diário de Minerva, que foi escrita e será representada por funcionários da nossa empresa."
Logo após veio o representante do outro patrocinador, José Barbosa, da Petrobrás. "Temos mudado muito a postura da empresa ao longo dos anos, lembrando que durante uma época a Petrobrás foi dirigida por militares. Desde 2003 procuramos investir na diversidade cultural e humana, o respeito as escolhas de cada um. Essa parceria com a comunidade GLBT é fundamental para isso."
Valéria Melk, da Católicas Pelo Direito de Decidir, falou da importância política da Parada. "Nossa luta é para descontruir os fundamentalistas e Parada sempre foi um campo importante, já que sempre tivemos ações de grande visibilidade", declarou a militante.
Os responsáveis pelos programas municipal e estadual de prevenção DST/AIDS, também deram seus depoimentos. "É muito bacana poder unir a prevenção e a cidadania, já que na Parada temos contato com homossexuais de diversas classes, rendas e regiões. Teremos algumas tendas na Feira Cultural com 40 agentes e técnicos de saúde. E durante a Parada teremos 5 tendas ao longo da Paulista, onde serão distribuídos 1 milhão de preservativos", declarou Gil Casimiro do Programa Muncipal. "Hoje em dia vejo a Parada como um evento que luta contra todo tipo de preconceito, não só com relação aos homossexuais. Além disso, a Parada de São Paulo é um espelho para todo o Estado, já em quase todos os municípios existem Paradas hoje", afirmou Elvira Ventura, do Programa Estadual.
E, por fim, foi a vez de Regina Facchini dar sua declaração. "Estou muito emocionada de poder ver essa mesa, o apoio dessas pessoas e dessas empresas na construção de um espaço de celebração e luta. O tema desse ano é a integração de lutas, já que como os GLBT estão em todos os lugares, classes, etnias e idades, também sofrem com relação ao racismo e ao machismo. A pesquisa realizada durante a Parada do ano passado divulga dados alarmantes. Dois em cada três participantes do evento já passaram por algum tipo de agressão física ou discriminação. E 60% dos que passaram não contaram o fato a ninguém. Por isso, esse ano, estaremos distribuindo a cartilha Não se Cale, com todas as orientações de como agir numa situação como essa. Procuramos também esse ano realizar eventos políticos, culturais e esportivos, para ter uma programação completa ao longo dos dias que antecedem a Parada em si."
A expectativa de público dos organizadores do evento para esse ano fica entre 2,5 e 3 milhões de pessoas, o mesmo número do ano passado. Estima-se que cerca de 400 mil turistas venham para São Paulo em função do evento, que gera um fluxo de R$135 milhões segundo a SP Turismo. O custo total de todo o mês do orgulho GLBT fica em torno de R$1,2 milhão. O patrocínio da Petróbras foi de R$200 mil e o da Caixa Econômica Federal de R$120 mil. A Prefeitura de São Paulo arca com cerca de R$350 mil, referentes a infraestrura, que inclui banheiros, gradeamento etc. Com esses números a Parada Gay de São Paulo se torna o maior evento turístico da cidade.