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Boletim do Ministério
Dados do Ministério da Saúde sobre o contágio do HIV no Brasil mostra crescimento da epidemia nas regiões norte e centro-oeste

Da Redação

O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de DST e Aids, divulgou nessa quarta-feira, 30/11, o Boletim Epidemiológico Aids DST 2005, com os últimos dados da doença. Segundo o Boletim, observa-se que no Brasil a epidemia de Aids está perdendo força em três grupos: adultos jovens, usuários de drogas e transmição vertical (de mãe para filho até 5 anos). O boletim também mostra um estabilidade de casos entre os homossexuais e bissexuais.

O principal fator de transmissão de HIV continua sendo através de relações sexuais. "Tanto em homens quanto em mulheres percebe-se o aumento do número de casos na transmissão heterossexual. Entre os indivíduos do sexo masculino, nota-se estabilização com ligeira tendência de queda, na proporção de casos entre homossexuais e bissexuais", avalia Pedro Chequer, diretor do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. Em 1994, o número de casos entre homossexuais declarados representava 22,5% do total e entre os bissexuais era de 11,2%. Em 2004, esse número caiu pra 15,9% entre os que se declaram homossexuais e 10,5% entre os bissexuais. Ao todo, entre 1983 a junho de 2005, foram registrados 47.958 casos de HIV entre homossexuais, 25.787 entre bissexuais e 54.457 entre os heterossexuais. "Em um pesquisa realizada ano passado, descobrimos que os homossexuais utilizam a camisinha com mais frequência do que os heterossexuais", comenta Mara, assessora de impresa do DST/Aids.

Por outra lado, se considerarmos os números absolutos da epidemia (47.985 casos entre homossexuais e 54.457 entre héteros), em relação ao percentual da população brasileira heterossexual comparada à população heterossexual, os números são alarmantes para a população gay.

Dados Gerais
No caso de transmissão vertical observa-se uma queda no número de casos desde 1998. Naquele ano, foram registrados 943 casos da doença, enquanto em 2004 o número caiu para 703 e até junho de 2005 foram notificados 221 casos. "Isso é reflexo das ações de prevenção e de controle da transmissão vertical do HIV, que começaram a ser implementadas de forma mais efetiva a partir da segunda metade da década passada. Entretanto, ainda temos muito a avançar para atingir a meta que estabelecemos de reduzir a quase zero a transmissão vertical do HIV ate 2007", afirmou o ministro da Saúde, Saraiva Felipe em nota oficial.

Entre os homens ocorre redução das taxas de incidência nos indivíduos entre 13 e 29 anos. O número de casos de aids nesse segmento caiu de 5.028, em 1998, para 3.671, em 2004. Já entre homens, de 40 a 59 anos, obeserva-se um aumento de 4.788 para 6.340 casos. Entre as mulheres, observa-se um crescimento persistente da epidemia em praticamente todas as faixas etárias.

Em 2003, os homens que disseram ser da cor branca responderam por 60,7% dos casos registrados com a variável raça/cor. Naquele ano, as mulheres que se disseram de cor branca responderam por 58,3%. Em 2004, o percentual entre esses homens caiu para 56,6% e entre as mulheres, para 52,8%. No mesmo período, os homens que disseram ser pretos ou pardos responderam por 38,5% dos casos registrados com a variável raça/cor. Demonstrando queda proporcional entre as pessoas que disseram ser da cor branca e aumento entre aquelas que se consideravam pretos ou pardos.

Em linhas gerais, a epidemia avança em todo o país, com exceção do Sudeste. A região apresenta uma queda significativa de 15,6% na taxa de incidência da aids entre 1998 e 2004. Segunda analise do diretor do DST /Aids, Pedro Cheque, "o Sudeste tem uma epidemia mais antiga, que já começa a dar sinais de estabilização". Já a região Norte é a que mais preocupa o órgão. Entre 1998 a 2004, o crescimento foi de 94,7%. Em percentual menor, no entanto também preocupante, observa-se um aumento nas regiões Centro Oeste e Nordeste, de 48,8% e 38,1%, respectivamente. Entre 1998 a 2004, cinco Estados tiveram crescimento superior a 100% - Maranhão, Pará, Acre, Piauí e Roraima, que registrou o maior aumento (247%).

De 1980 a junho de 2005, foram registrados 371.827 casos de aids no Brasil. De um modo geral, a taxa de incidência da aids (casos da doença por 100 mil habitantes) mantém-se estável porém em patamares elevados - 17,2 em 2004.


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