31/01/2010 - 11h35

Por : Hélio Filho

Militantes encerram conferência com vontade de dialogar com todo mundo
Militância latino-americana e do Caribe quer mais diálogo fora de seus muros

Grupo Somos

Lançamento do guia de mídia foi um dos pontos altos

Lançamento do guia de mídia foi um dos pontos altos

A ILGA-LAC fechou no último sábado, 30, a programação de sua V Conferência Regional, realizada em Curitiba, atenta à necessidade de dialogar cada vez mais no e com o mundo moderno. Com encontros específicos de cada letra da sigla colorida e outros sobre Saúde, Mídia, Poder Executivo, Direitos e Política, a Conferência foi um momento importante no sentido de reunir as experiências boas e ruins de 400 participantes latino-americanos e caribenhos em busca de respeito e dignidade.

Antes mesmo da abertura oficial, feita na última quarta-feira, 27, pelo ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, a militância já discutia algumas propostas nas pré-conferências temáticas, inclusive algumas pela primeira vez, como foi o caso da “Pré-conferência Mídia e LGBT”. Com participação do Mixbrasil, o debate em torno desta relação rendeu boas propostas como a criação de mailings tanto do movimento quanto da imprensa e um órgão fiscalizador da exposição dos LGBT na mídia.

Um dos problemas mais graves ainda enfrentados pelos LGBT, a trans-lesbo-homofobia ganhou destaque e diferentes ângulos de discussão – este ódio nas escolas, em seminário encabeçado pela Aliança Para Educação de Gays e Lésbicas (GALE); e na sociedade em geral, com o grupo de trabalho “Crimes de ódio, discriminação e violência”, formado pelo decano do movimento Luiz Mott, a militante trans venezuelana Tamara Adrian e o mexicano Antonio Medina.

Governamental
O Governo Federal marcou presença no encontro com a apresentação de resultados de seus planos desenvolvidos para a população LGBT. O principal foco continua sendo a área da Saúde, com a luta contra a epidemia de HIV/Aids, principalmente entre os homens que fazem sexo com homens (HSH) e as travestis. Mas o foco vai ser ampliado e pretende atingir também um grupo que vem cada vez mais sendo infectado, o das mulheres. Isso porque o Governo percebeu por meio de pesquisas apresentadas pela militante transexual feminista Barbara Graner que o vírus HIV está cada vez mais presente entre as mulheres.

Segundo os dados, em 1983 a incidência da Aids entre elas era de apenas um caso para cada 40 entre os homens, contra 1.8 para cada um masculino em 2009, ou seja, mais mulheres soropositivas. O Ministério quer prestar atenção também nos jovens porque, de acordo com dados do Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e DST entre Gays, HSH e Travestis do Ministério da Saúde, 630 mil pessoas entre 15 e 49 anos vivem com HIV AIDS no Brasil. Um número grande.

Eleitas, eleit@s, eleitos
Além das propostas, a V Conferência Regional da ILGA-LAC também elegeu sua nova representação. No quadro geral, a lésbica escolhida foi Toli Hernandes (Chile), a trans foi Amaranta Gomes (México) e o gay Pedro Paradiso Sottile (Argentina). Na Região Brasil (o País é uma região só porque é muito grande, com muitas ONGs), a representação fica a cargo da lésbica Irina Bacci, a trans Rafaelly West e o gay Cláudio Nascimento.

E o próximo encontro regional da ILGA-LAC já tem casa, vai do Paraná para o Panamá, em 2001. A candidatura panamenha foi única e aprovada em consenso pelos cartões vermelhos dos delegados da ILGA-LAC. E já está circulando o chamado para o encontro mundial da ILGA, que será realizado em dezembro deste ano, no Rio de Janeiro.

Organizada e produtiva, a V Conferência Regional ILGA-LAC termina em clima de atualização, avanço e vontade de semear a semente da tolerância LGBT nos Três Poderes, na Mídia, na rua, na Saúde e em todo lugar onde houver espaço para os Direitos Humanos. Ou seja, no mundo todo, mesmo que eles sejam negados, como no caso do homofóbico Caribe, ou barganhados, como em terras brasileiras.

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