11/05/2009 - 12h00

Metafísica

Eu nunca acreditei realmente nessa coisa de mundo dos sonhos e mundo real. O mundo metafísico, para mim, sempre foi a representação dos nossos desejos mais profundos, de um inconsciente que anseia por vir a tona, ou o mero e ordinário reflexo do dia-a-dia. É claro que há sonhos mais verídicos, outros bobos e sem sentido, mas todos acabam a partir do momento que os olhos se abrem... ou não?

Acordei com o coração disparado, um arrepio gostoso e um constrangimento sem razão de ser. Sonhos são apenas sonhos, não há motivo para ficar sem graça. Mas havia algo diferente, era... real?

Um prédio moderno, algo muito parecido com um escritório. Salas amplas, mas todas vazias. Não sei se clean ou abandonado. Eu andava desconfiada, meio sem saber o porquê de eu estar lá.

Vi um rosto familiar. Estávamos num elevador, e mais uma vez eu não pude evitar a cara de boba com o seu sorriso manso e o seu jeito doce.

Mil coisas passavam pela minha cabeça naquele silêncio de elevador. Ora queria um abraço, ora um beijo denso, ora dormir com você só pra te ver acordar, ora o meu instinto mandava que eu saísse correndo - não se beija amigos, não é esperto, não se entra deliberadamente em confusão.

Como são demorados os elevadores dos sonhos!

Entramos num hall sem saída, que dava numa escada de emergência. Por algum motivo conhecido apenas no mundo dos sonhos, nos encontramos sentadas em silêncio, na beira da escada.

Eu estava visivelmente incomodada, e tinha a nítida certeza de que você era capaz de ler e sentir até os meus pensamentos mais escondidos. Eu nunca fui boa em disfarces... não precisava ser um sonho.

Tinha tudo para ser um sonho previsível... um script tão bobo, uma história tão básica. Na evolução natural de um sonho padrão, que foi de uma troca de olhares ao beijo tão esperado. Mas alguma coisa aconteceu!

Na harmonia de um beijo, uma chama que se espalhava pelo corpo inteiro e que ansiava. Não por um primeiro toque, não pelo encontro de dois corpos estranhos que de repente se desejam. Não era a primeira vez. 

Havia uma procura incansável por uma familiaridade... dois corpos que se conheciam, que tinham por hábito ser um, que se tocavam em um dueto já tantas vezes ensaiado. Era pra ser assim, desde antes, desde sempre.

Eu não sei por quanto tempo eu dormi, mas durante toda a tarde aquele gosto familiar me perseguiu, não importando quantos copos de café eu tomasse para tentar retomar a minha concentração.

Embora o constrangimento e as censuras do mundo real me dessem plena convicção do que era sonho e do que não era, confesso que depois dessa noite, vou tomar bastante cuidado ao duvidar do poder do imaginário. E que esse sonho só se repita, se um dia você acordar ao meu lado.

Bom dia =))

 

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