11/09/2009 - 12h00

Tudo azul

Já faz quase 14 anos que a paulistana Blue Space abre suas portas todos os fins de semana atraindo um público fiel que adora conferir os shows das drags da casa, que inclusive foram destaque na semana passada na revista Época. A publicação elegeu a Blue como a melhor casa de shows de drags de São Paulo, coisa que muita gente que freqüenta o lugar já sabia.

“Fiquei sabendo da indicação porque me ligaram dizendo que tinha saído na Época", diz o dono da Blue, Vitor Sofredini, em entrevista ao Mix. “Um jornalista da revista foi visitar a casa e assistiu aos shows, entrevistou umas pessoas e fez a indicação”, completa.

Em tempo de megaclubes onde a cultura do “inhaim” e bate-cabelo parece ficar cada vez mais fraca, a Blue vai na contramão e continua lotando seu espaço com um time de drags que roda o Brasil todo. Para saber qual o segredo de manter o sucesso onde muita gente acha que está o fracasso, o Mix conversou com Vitor e descobriu que profissionalismo é sempre bem-vindo.

São quase 14 anos de Blue Space.
Sim, em março do ano que vem faz 14 anos. Lembro que começamos abrindo aos domingos. Só depois de seis meses fomos abrir também no sábado. O conceito da matinê sempre foi meio que ser um circo, é para você se divertir e começar tudo de novo na segunda-feira. Tem que ser diversão leve.

Os shows sempre foram considerados o forte da casa.
Sim, mas o forte da casa é também o som de primeira linha, a iluminação, nossos ótimos DJs. Mas nossos shows são um grande diferencial, com certeza. Porque é um produto caro para fazer, e muita gente não investe acho que por esse custo. A gente tem esse custo a mais do que os outros, as outras casas noturnas gays. Aqui em São Paulo essa coisa de show não permanece muito. As drags que trabalham aqui viajam o Brasil inteiro trabalhando, batalhando, porque aqui quase não existe oportunidade.

Está fraco o mercado para shows de drags em São Paulo?
Eu reputo a Blue Space como um reduto gay mesmo, não é clube mix ou esses nomes mais modernos. Mantém a tradição desses shows que vem desde mil novecentos e bolinha. Ainda tem um pouco de mercado sim, a gente só continuou o mesmo trabalho que outras casas faziam. Fazemos sem pensar muito no custo, tem um mercado que consome esse produto e quer produtos bons. Em Brasília, por exemplo, eles não gostam dos shows. E a gente faz o que povo gosta, por isso não tem shows lá.

Essa produção toda envolve bastante gente, gera empregos. Funciona como uma empresa comum?
Sim, esse nosso trabalho envolve muita gente, geramos bastante empregos. Só na produção são seis pessoas, que bolam os shows, cenários e os figurinos. Toda semana tem três números com balé e humor. Ao todo no elenco de bailarinos tem cinco homens e duas meninas, todos registrados, com plano de saúde e todos os benefícios. Para mim isso é trabalho, funciona como uma empresa mesmo. Tem que ser levado a sério. Temos ainda seis gogo-boys fixos e um grupos de drags que se reveza porque elas viajam pelo Brasil todo.

A brincadeira fica só para a hora do palco mesmo.
Claro, trabalhamos a semana inteira para no sábado e domingo ter algo para apresentar, a gente sempre faz nossos shows com duas semanas de antecedência. Na semana da apresentação mesmo é só ensaio. Não tem nada feito em cima da hora.

E como manter esse público fiel por tantos anos apresentando o que os outros acham que não dá lucro?
Tem que modernizar sempre para não ficar velho. O show a gente moderniza, renova, mas trabalha sempre no esquema tradicional do show gay, para manter a tradição. É a cultura gay que está em jogo, não gostaria que isso morresse. Na semana passada a Cantho estreou um show na quinta-feira, achei legal a iniciativa. Quanto mais gente fazendo é melhor. Mudamos muito a casa, tudo que tem de moderno eu procuro correr atrás, hoje temos equipamentos de ótima qualidade que muitas casas não têm.

   

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